ndbilatam.com

Por que este congresso existe?

Uma carta sobre humildade, transparência, dedicação e a busca por um cuidado mais conectado com a vida real.

Antes de falar sobre o congresso, precisamos falar sobre por que ele existe

Existe uma dor silenciosa em quem trabalha com autismo.

A dor de querer ajudar, estudar, se dedicar… e ainda assim sentir que, na prática, nem tudo encaixa como deveria.

Nós já sentimos isso.

Em 2020, em plena pandemia, tentamos implementar um projeto de atendimento para crianças autistas na clínica Kids Mind. Fizemos cursos, buscamos referências, montamos uma proposta e tentamos aplicar aquilo que aprendíamos.

Mas não funcionou como esperávamos.

As sessões não aconteciam como estavam nos planos. Os resultados não vinham como imaginávamos. A equipe sentia o peso. E nós tivemos que tomar uma decisão difícil: parar, olhar com honestidade para o que estava acontecendo e reconhecer que, naquele momento, precisávamos rever o caminho antes de seguir.

Aquilo marcou a nossa história.

Porque não era falta de vontade. Não era falta de cuidado. Não era falta de intenção.

Todo mundo queria acertar.

Mas boa intenção não basta quando a realidade é complexa.

Foi ali que entendemos que cuidar bem exige mais do que técnica. Exige humildade para reconhecer que ainda temos muito a aprender. Exige transparência com famílias, equipe e pacientes, porque não somos donos da razão. E exige dedicação para buscar, com seriedade, aquilo que ainda não entendemos.

Aos poucos, fomos percebendo que muitas informações chegam até nós como em uma brincadeira de telefone sem fio: alguém aprende uma parte, adapta, simplifica, repassa… e, quando chega na prática, o conceito original já se perdeu.

Por isso, decidimos ir atrás da fonte.

Não por vaidade. Não por certificado. Mas porque precisávamos entender de verdade o que estava por trás dos modelos que queríamos aplicar.

Quando conhecemos mais profundamente o Modelo Denver, uma ideia mudou nossa forma de atender:

a criança aprende porque quer, não porque deve.

Essa frase parece simples, mas muda tudo.

Muda a forma de olhar para a criança.
Muda a forma de construir vínculo.
Muda a forma de interpretar comportamento.
Muda a forma de planejar uma sessão.
Muda a forma de respeitar a família.
Muda até a forma de o profissional respirar dentro do atendimento.

Com o tempo, também entendemos que cuidado não pode ser medido apenas por quantidade de horas, protocolos ou promessas. A criança tem uma vida. A família tem uma realidade. O profissional tem limites. E a ciência precisa conversar com tudo isso.

Talvez seja por isso que este congresso exista.

Não para ser mais um evento.

Mas para criar um espaço onde possamos voltar à essência do cuidado: com ciência, humanidade, humildade, transparência e dedicação.

Nós não temos todas as respostas.

Mas escolhemos buscá-las da forma mais honesta possível.

E acreditamos que muitas famílias, profissionais e equipes também estão buscando a mesma coisa:

um caminho mais sério, mais humano e mais conectado com a vida real.

Convite

Se essa busca também faz sentido para você, este congresso é um convite.

Não apenas para assistir a palestras.

Mas para participar de um movimento de retorno à fonte, com ciência, humanidade e responsabilidade.

Rolar para cima